Desde que iniciamos a confecção de sabonetes naturais e artesanais, temos notado que para os japoneses é simples compartilhar os ingredientes de comida com a pele. É natural, fácil e sustentável. Para eles, de fato — como o é também  na medicina ayurvédica —: o que é bom para comer, é bom também para a pele (leia entrevista de Iolanda Ada, terapeuta ayurvédica, psicóloga e aromaterapeuta, aqui).

E de uma forma tão natural como é para a alimentação e cuidados com a pele, é também para outros produtos de uso doméstico como aromatizadores, sabões de limpeza, etc. De fato, não há necessidade de se ter ingredientes distintos para fazer os diversos produtos cosméticos e de limpeza da casa. É perfeitamente possível, até mais saudável e muito mais viável, utilizar, por exemplo, o óleo de oliva extra virgem na cozinha para preparar alimentos e fazer o sabonete, cremes para o corpo e loções bifásicas para o rosto. Basta adicionar os óleos essenciais de sua preferência (ou necessidade) e passar a utilizar um produto feito por você mesm@, com os ingredientes de sua escolha e, além de tudo, fresco! Não há nada melhor do que isso!

O sabonete natural e artesanal abriu as portas de um maravilhoso universo para nós. Além de novas impressões que se sobrepuseram sobre as antigas: de fato, quando utilizamos o sabonete perfeito para a pele, praticamente não há mais a necessidade de tônicos, loções ou cremes. Chegamos a essa conclusão depois de 2 anos entre testes e usos de óleos de vários fornecedores, sabonetes feitos com esses ingredientes e, diferente do que pensávamos, estar em diversas regiões do mundo, utilizando-os. Foi assim que as impressões passaram a ser uma confirmação.

 

“…[a pele] responde muito bem ao uso exclusivo de um bom sabonete específico para a pele.”

O que percebemos de um modo geral, é que quando a pele está saudável (que depende da saúde e da idade) e o clima ameno, ela responde muito bem ao uso exclusivo de um bom sabonete específico para a pele. O sabonete ideal é sempre aquele que responde bem naquele momento da pele e naquela estação de ano. É aquele que retira a sujeira e mantém o sebo natural da pele que a protege. Resultando numa sensação de frescor e maciez na pele no pós-banho.

 

Descrevemos o uso do sabonete numa situação ideal, porém, isso nem sempre isso acontece. Períodos de calor ou frio intensos interferem diretamente no estado da pele, mesmo as saudáveis. Como nesses últimos dias de calor, em pleno mês de agosto, com temperaturas de 37 ˚C e umidade relativa do ar a 25% (praticamente a mesma secura de um deserto), a pele pede por mais hidratação. Claro que a ingestão de água é importante nesses dias, mas é possível dar um auxílio a ela com o uso de loções, cremes (que falaremos em outro post) e, como dizem os japoneses, 化粧水 (keshōmizu = loção ou água facial).

Na realidade, as águas faciais que falamos (adotamos a tradução quase literal da nomeclatura japonesa) não são diferentes dos hidrolatos que resultam da produção de óleos essenciais para as cosmetólogas japonesas. A diferença está em sua produção artesanal e caseira com óleos essenciais. Aqui, no Brasil, são denominadas de “águas florais” e alguns aromaterapeutas produzem e divulgam suas próprias receitas.

Produzir sua própria água facial ou floral pode ser uma vantagem pois nem sempre os hidrolatos são acessíveis ou disponíveis no mercado, e podem ser feitos com o óleo essencial de sua escolha. Segundo alguns autores japoneses, as águas faciais  — além de trazer a refrescância e leve hidratação em dias de calor — ajudam a equilibrar o ph, e podem trazer brilho à pele (dependendo do ingrediente) além de fazer bem para a alma.

 

Qual a importância do ph em produtos para a pele?

O ph neutro é de 7. Um sabonete artesanal tem seu ph entre 9 e 10, ou seja, é alcalino. A pele tem seu ph entre 4,5 e 5,5, ou seja, é ácido. A água facial pode ter seu ph entre 5 e 7, dependendo de seus ingredientes. (leia mais sobre ph, aqui).

O nível de ph pode influenciar diretamente a saúde da pele, pois desempenha um papel importante na manutenção da barreira protetora: um meio ácido evita a proliferação de algumas bactérias e um meio alcalino pode ressecar a pele.

 

Existem outras demandas que podem ser consideradas para passar a utilizar as águas faciais:

  • auxílio no aspecto da pele, principalmente da mulher, que passa por diferentes fases hormonais;
  • auxílio na cicatrização como pós-barba, para acne e no pós-sol;
  • equilíbrio da oleosidade e/ou ressecamento;
  • dentre outros.

Utilizar produtos naturais e artesanais é um caminho de auto-conhecimento, além de proporcionar a autonomia e desenvolver um respeito profundo pela natureza. E embora estimulemos trilhar por esse caminho, em hipótese alguma, esses produtos pretendem substituir uma boa alimentação, um estilo de vida saudável e a orientação adequada de um profissional desde terapeutas a médicos. Portanto, cuide de si mesm@ e de outras pessoas ao seu redor com amor, respeito ao momento e atenção aos ingredientes.

Essas águas faciais podem ser feitas tanto para mulheres como para homens, e elaboradas com óleos essenciais, e adição de hidrolatos e outros ingredientes. Podem ter funções diferentes, necessárias a cada tipo de pele. E além de ajudar na beleza da pele, auxiliam a alma. Experimente!

 

 

Obs.: O texto acima é resultado de impressões e deduções baseadas em nossas experiências diárias com o que produzimos através de estudo, bom senso e necessidades pessoais. Em nenhum momento, pretendemos substituir tratamentos indicados por médicos ou debater qualquer estudo científico de qualquer natureza.