Não conhecemos Amanda pessoalmente. Mas é só acompanhá-la através de suas redes sociais que sua ideologia, sua clareza, sua maturidade e sua sensibilidade para o sabor ficam perceptíveis. Amanda tem uma intenção clara com seu trabalho e, sem dispersão e muita persistência, percorre os caminhos de forma intuitiva sempre em busca do aprimoramento. É só experimentar seus cookies veganos que vem fazendo há algum tempo. O sabor é melhor a cada lote, sem perder seu principal aspecto que é o saudável. Amanda testa, experimenta e revê suas receitas o tempo todo. Dona de uma pele maravilhosa, cuida de seu visual de forma muito natural e despojada.

*****

AIDÉE Amanda, conte um pouco pra nós, como foi seu percurso pra se tornar uma Sous Chef.

AMANDA BADIN Me formei em gastronomia pela Anhembi Morumbi, em 2010, e em Pós-Graduação em Gastronomia Funcional pela Famesp, em 2013. Meu primeiro emprego na área foi em 2010, no restaurante Apfel Jardins, um restaurante vegetariano. Foi aonde considero ter aprendido quase tudo o que sei deste mundo, hoje. Trabalhávamos com legumes e verduras do dia, com um cardápio inteiro novo todos os dias, todos os tipos de raízes e grãos possíveis. De lá, passei para o Sesc (Serviço Social do Comércio), em 2012. Um lugar bem legal para aprender sobre toda a parte burocrática e higiênico-sanitária dessa área. Controles de temperaturas, amostras de todos os produtos vendidos, rotulagem, etc.
Ao final de 2015 passei para a Hamburgueria Tradi, que, acredito, foi o lugar que menos tem a ver comigo. Foi um lugar incrível para trabalhar, pois foi onde pude, pela primeira vez experienciar a função de chefe, de coordenar pessoas e produtos. Apesar disso, não senti afinidade com minhas filosofias de vida.
Ao final de 2016, fui para meu então trabalho atual: Le Manjue. Esse, é totalmente a minha cara! Alimentação orgânica, visando sempre a sustentabilidade de todo um sistema, muitas opções veganas e vegetarianas!

“São as pequenas ações que vão fazer a diferença no nosso futuro e deste planeta.”

AIDÉE Você é jovem. Sente uma consciência diferente de sua geração em relação às anteriores sobre o planeta, a sociedade e a alimentação?

AMANDA BADIN Sinceramente, acredito que a minha geração esteja bem dividida. Ainda tem muita gente em torno dos seus 30 anos que realmente não pensa em como suas ações impactam o meio ambiente, em como suas escolhas na hora de fazer as compras no mercado impactam na saúde de seus corpos e mentes. Mas, também existe aquela galera que está em uma outra vibe. A galera que acordou, sabe? Que se preocupa sim, seja consigo ou seja com o planeta. E isso é bem legal, mesmo que a sua atitude pareça pequena, ela não é. São as pequenas ações que vão fazer a diferença no nosso futuro e deste planeta.

“Só porque um prato é saudável não significa que ele não tenha sabor. ”

AIDÉE Comida, muitas vezes, está ligada somente ao prazer e não necessariamente ao bem-estar. Como vê essa relação?

AMANDA BADIN É uma relação que é bem real, e não necessariamente errada a meu ver. Mas, com tudo o que se sabe hoje, é quase um absurdo comer sem se preocupar em como aquele alimento vai se comportar dentro de seu organismo. Comer é sim um prazer, mas comer visando o bem-estar tem como envolver prazer. Só porque um prato é saudável não significa que ele não tenha sabor. O restaurante em que trabalho agora e o meu blog mostram exatamente isso, nos dois podemos encontrar muitas receitas saudáveis e deliciosas. E isso se extende ao veganismo, pois há um preconceito ao ‘não comer queijo’, ‘não consumir leite’, ‘não comer ovos’. Existe uma pré concepção inserida nos nossos cérebros de que comida sem manteiga e sem queijo não tem graça, de que bolo não pode ser feito sem ovos e leite. Algo que, aos poucos, está se mostrando cada vez mais e mais real e possível. Existem receitas maravilhosas de bolos veganos, coxinhas veganas, etc.

“O veganismo vai além da alimentação, e isso é o legal dessa filosofia de vida. ”

AIDÉE Atualmente cada vez mais pessoas tem aderido ao movimento vegano. O que considera importante nesse movimento? E qual a relação com seu trabalho, seu blog “Minha Cozinha, Sua Cozinha” e seu produto “Grani”?

AMANDA BADIN O veganismo vai além da alimentação, e isso é o legal dessa filosofia de vida. Nos faz repensar nosso modo de vida. O veganismo exige que você saiba de onde veio aquilo que você usa, como foi feito e por quem, como é esse trabalho por trás daquele produto ou alimento. Os primeiros passos são os mais difíceis, pois você leva um tempo para descobrir empresas bacanas que compartilhem da filosofia. E ser vegano também exige paciência, pois ler rótulos se torna parte do seu dia a dia, mas isso é bacana, é positivo. Temos sim que saber o que são todos aqueles ingredientes em um rímel, por exemplo, e o que eles fazem no nosso organismo e no do nosso planeta. O mesmo serve para os alimentos. Temos que saber como é feito o plantio, a colheita, a conservação, o transporte, etc. Temos que saber se usam aditivos químicos ou não, gorduras boas ou ruins.
Daí a relação com a minha linha atual de trabalho. No meu blog eu procuro sempre colocar receitas simples e, ao mesmo tempo, deliciosas e saudáveis, sempre fugindo dos artificiais, dos aromatizantes e gorduras nada benéficas. Como eu sou vegana, meu pensamento na hora de desenvolver uma receita já vai diretamente para essa linha do natural. E o natural acaba sendo o mais fácil de reproduzir, facilitando e justificando a alimentação saudável no dia a dia de cada um.

AIDÉE Na cozinha – como em qualquer outra atividade –, estamos sujeitos a acidentes. Há alguns meses você sofreu uma queimadura no braço e a tratou com produtos naturais. Quais são suas recomendações básicas para esse tipo de eventualidade?

AMANDA BADIN Realmente, estamos muito propensos a acidentes. É um ambiente perigoso, uma cozinha industrial, com equipamentos que chegam a temperaturas absurdas. Mas a minha saída quando envolve queimaduras é sempre lavar bem na hora, e em seguida óleo de lavanda (no meu caso eu uso um preparado que minha mãe fez para mim, que, entre seus ingredientes, tem óleo de lavanda). Outra boa opção é a pomada de calêndula, essa faz tantos milagres quanto a lavanda.

“Ainda insisto, nossa beleza exterior se deve muito ao que temos por dentro, tanto a alimentação, a nutrição, quanto aos sentimentos. ”

AIDÉE Estar na cozinha é sinônimo de cabelos e peles mal tratadas? Quais são suas recomendações de cuidados básicos para a pele e cabelos?

AMANDA BADIN Olha, cabelos cheirando a gordura são sim uma realidade, mas pele mal tratada não. A saúde da nossa pele vem do que colocamos dentro do corpo, se sua alimentação é balanceada e você ingere a quantidade de líquidos que seu corpo precisa, as chances de uma pele ruim são bem menores. Claro que depois de um dia inteiro de trabalho a minha pele fica mais oleosa que o normal, mas nada que lavar o rosto com água e sabão não resolvam. E sim, em casa, após o banho eu sempre passo um hidratante facial, de tempos em tempos faço máscara de argila, cuidados básicos que todos deveríamos ter. E os meus cuidados com os cabelos são simples, a cada quinze dias uma hidratação com manteiga de manga da Lazslo, shampoo e condicionador normalmente da Inoar (cruelty free). Ainda insisto, nossa beleza exterior se deve muito ao que temos por dentro, tanto a alimentação, a nutrição, quanto aos sentimentos.

SERVIÇOS:

AMANDA BADIN, Vegana e Chef de Partida do Le Manjue Organique

E-mail: badincorreia@hotmail.com

Cel.: (11) 98258-6357

Instagram: @amandabadin

Facebook: @AmandaBadin

Blog: minhacozinhasuacozinha.blogspot.com