Quando começamos a fazer sabonetes naturais, tínhamos uma pequena noção de que a conservação deles não seria como a dos industrializados. Não é só comprar no supermercado e deixar no armário do banheiro. Mas quando fizemos e o utilizamos, percebemos como eles realmente são diferentes. Produtos sem aditivos químicos, sem conservantes, nem corantes artificiais tendem a perder suas características mais rapidamente com o tempo. Por isso, resolvemos compartilhar um pouco dessa nossa vivência, pois percebemos que algumas pequenas mudanças de hábito (que não são nada difíceis) podem ajudar na durabilidade dos sabonetes.

1. Onde guardar, se o sabonete for novo?

  • Na embalagem original

Como utilizamos o método cold process, o sabonete continua seu processo de cura, mesmo depois de embalado. Por isso desenhamos uma embalagem em que ele pudesse continuar respirando.
Aqui costumo sempre deixar na embalagem ou numa caixa junto com outros sabonetes, mas com aquelas tampas que não impeçam a entrada do ar.

  • Em local seco e arejado

Como o sabonete respira, se ele ficar em locais fechados, abafados ou úmidos, ele vai transpirar e, no mínimo, vai ficar umedecido. Alguns podem virar uma “meleca”, dando a sensação de que óleo saiu do sabonete e estragou. Portanto, procure um local sempre arejado pra armazenar os sabonetes. Pode colocar em gaveta, desde que não seja sob as roupas ou muito lotada de objetos. Pode ser em armário, desde que não seja úmido como o do banheiro. Pode ser em caixas, desde que ela permita a entrada de ar.
Aqui costumo sempre deixar na cômoda, bancada ou prateleira do quarto (ou closet) dentro da embalagem ou numa caixa junto com outros sabonetes, sem amontoar.

  • Longe do sol

Já deixamos o sabonete no sol, quando participamos de uma feira. Pra eles foi péssimo! O aroma praticamente sumiu e, como nossas embalagens tem um recorte na frente, a maioria ficou com uma marca como se fosse de “biquini”. Como são feitos de ingredientes naturais, seu aroma tende a evaporar com o calor e sua cor desbota com a luz. O resultado é um sabonete com cheiro predominante de óleo vegetal, com pouco aroma, e desbotado como por exemplo, o de dendê que é laranjão, e ficou bem amarelinho.
Por isso, aqui evitamos deixá-los próximos à janela onde bate sol; em locais externos, ficam sempre à sombra e evitamos também de deixar no carro, quando ele fica na rua.

 

2. Onde deixar, quando o sabonete estiver em uso?

  • Numa saboneteira em que a água não se acumule

No processo de produção do sabonete natural, muita glicerina se forma. Ela é a parte nobre do sabonete. E, em contato com a água, a tendência é que ele vire um creme e o sabonete tende a se tornar uma massa cremosa. Não que esse sabonete não possa ser usado, mas fica bem mais difícil de ser manuseada.
Por aqui deixamos os sabonetes numa saboneteira que tem 2 partes: uma onde se coloca o sabonete, furadinha, e a outra onde a água se acumula. Aqueles de madeira que parecem ripinhas também servem, pois a água escorre. Independente da sabonenteira que for utilizar, sempre escorra a água que sobra. A ideia é manter o sabonete sempre sequinho.

  • Em local seco e arejado

Mesmo quando o sabonete já está em uso, o melhor é deixar ele secar depois do uso pelos mesmos motivos acima. 🙂

  • Longe do sol

Quando em uso, é melhor também manter o sabonete longe do sol pelas mesmas razões de quando estiver novo. Em contato com o sol, ele vai perdendo o aroma por causa do calor e sua cor desbota. A ideia de que o sol vai ajudar a secar o sabonete, não vai funcionar…
Costumamos deixar o sabonete secando na pia do banheiro, depois do uso. No box, a umidade acaba evitando que o sabonete seque.

  • Na embalagem original ou embrulhado num papel

Aqui costumamos revezar alguns sabonetes. Um período usamos um e, daí 2 semanas, passamos a usar outro. Isso porque é legal revezar entre produtos naturais de características semelhantes pra uma maior efetividade de cada um. Claro que com isso, o produto, que muitas vezes ainda não acabou, fica ali, meio de lado. Pra não empoeirar nem ficar na saboneteira derretendo, sempre colocamos de volta na embalagem depois de seco. Ou, se a embalagem foi descartada, embrulhamos num papel (tipo toalha de cozinha) e deixamos na caixa com outros sabonetes. Com isso, ele mantém as características por mais tempo.

 

Ah uma dica! Uma coisa que sempre temos feito e tem funcionado por aqui: juntamos vários pedacinhos pequenos de sabonete (aqueles restinhos difícieis de usar) e colocamos num pote pra sabonetes líquidos com água. Alguns dias depois, os pedacinhos de sabonete derretem e o resultado é um sabonete líquido denso. Incluímos algum óleo essencial como lavanda ou melaleuca, que são bons antibactericidas, e deixamos pra lavar as mãos. O bom é que além de não desperdiçar nada, as mãos ficam limpas e hidratadas, por causa da glicerina do sabonete em barra. Com os industrializados infelizmente não funciona da mesma maneira, já testamos e o sabonete não derrete. E só pra não dar confusão: esse não é o sabonete artesanal líquido, pois eles são feitos com a potassa. Nos sabões em barra utiliza-se a soda cáustica. 🙂