Foto: Erika de Faria

Iolanda é uma pessoa desprendida. Experimenta, testa e faz tudo com naturalidade o que o instinto e o coração mandam. Na verdade, não mandam. Eles trazem, e ela os escuta.

Chegou até a gente com muito entusiasmo, buscando os sabonetes e nós, que estávamos no começo, ficamos surpresos com tanta empolgação em experimentar. Dentre conversas, chás e compras, passamos a trocar tanto conhecimento que não seria possível escrever numa folha de papel. Se tornaria um livro. Possui mãos mágicas e generosas, e um instinto aguçado. Sua massagem é indescritível em palavras. Só estando lá pra compreender todas as sensações, visualizações e aromas! E o resultado é maravilhoso! É ter um corpo restaurado, uma alma reequilibrada, e, claro, uma pele linda! Ao mesmo tempo, se inicia um processo interno enriquecedor de autoconhecimento, de perceptividade e de autoconexão como presente. Estar integralmente conectado com o aqui, o agora e neste lugar. Como disse Iolanda citando o mestre tibetano Tarthang Tulku: “a massagem te coloca num universo amplificado, onde os sentidos ficam aguçados. O corpo, a mente e os sentidos se unem através de um processo de alquimia interior.”

Não é divino?

A entrevista seria interminável. E como aqui não cabe todo o seu conhecimento, resolvemos publicar os trechos mais importantes de tudo o que conversamos.

 

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AIDÉE Iolanda, conte pra nós como foi a sua trajetória até aqui e qual a sua área de atuação.

IOLANDA ADA Comecei com estética e maquiagem aos 18 anos. Nunca trabalhei em empresa, nem em clínica. Sempre preferi trabalhar sozinha, free e tranquila. Depois, comecei a estudar Psicologia. Foi quando passei a levar para os atendimentos de estética também os aprendizados da psicologia, desenvolvendo um olhar mais terapêutico, com muita atenção na pessoa, no seu silêncio e na sua narrativa. Percebi que muitas delas, que faziam um trabalho de pele e de corpo, não criavam a oportunidade de ficar consigo mesmas e não se davam conta da importância disso. Ao terminar o curso de psicologia, me especializei em corpo. Durante dois anos fiz a formação de Integração Fisio-Psíquica e dentro dessa formação aprendi muitas técnicas, entre elas a calatonia (criada por Pethö Sandor), que utilizo nas sessões. Ela é feita com toques sutis. Depois, conheci a aromaterapia e ela foi muito importante. É um dos alicerces do meu trabalho. O Ayurveda, uma das medicinas mais antigas do mundo, veio depois, quando comecei a praticar yoga. Fiz o curso do Dr. Ruguê (Dr. José Ruguê é um dos nomes mais importantes do Brasil da terapia ayurvédica).

“É um momento muito importante [para o massagista e para o cliente], já que a massagem integra, recupera, restaura, equilibra, libera, movimenta e organiza”

AIDÉE Como você faz uso ou aplica o Ayurveda em seu trabalho? Se utiliza também de outras técnicas e conhecimentos?

IOLANDA ADA Além do cuidado com a pele, trabalho com a massagem corporal e facial. A massagem que realizo é uma fusão de várias técnicas que aprendi no decorrer da minha trajetória profissional. Entre elas, estão a abhyanga, garshana, toque sutil e massagem sueca. Em meu trabalho, procuro estar sempre muito focada. É um momento muito importante, já que a massagem integra, recupera, restaura, equilibra, libera, movimenta e organiza. Ela está também ligada à figura da mãe e à sensação do carinho, afinal, temos fome do toque. Além de ser o momento que permite ao cliente estar profundamente conectado consigo mesmo. Por isso, gosto de colocar uma música, cheiros que ajudem a pessoa a se entregar ainda mais a essa experiência.
Com relação ao Ayurveda, a anamnese é fundamental. Tudo começa com uma conversa para eu entender a pessoa, a sua vida, como ela se alimenta, o sono dela, os hábitos, a origem, … Saber quem ela é, é importantíssimo! Outro aspecto que considero importante dentro da minha aplicação do Ayurveda é o Rasayana, que é o Ayurveda do rejuvenescimento. Antes, faço o processo de limpeza não invasivo. Primeiro se limpa depois se nutre, como é feito na Índia. Assim, o corpo vai poder responder melhor a todas as substâncias maravilhosas que irá receber.
Depois, oriento uma nutrição e um programa de rotinas (dinacharya). Existe, enfim, um olhar para toda a pessoa, para recuperar a interiorização, a saúde e a beleza.

“A partir do momento que fica interiorizado, criamos a consciência do nosso corpo, do que ele pede, do que necessita.”

AIDÉE Você acha importante que cada pessoa tenha consciência de seu corpo?

IOLANDA ADA Sim, com certeza. É um processo que vai sendo criado. Desde o despertar, dentro do Ayurveda, existe um passo a passo chamado Dinacharya, que consiste na raspagem da língua, bochechos, oleação corporal, aplicação de óleos nas narinas, limpeza nasal até meditação e prática de asanas específicos para cada constituição (dosha). Para atingir esse objetivo, não se começa com uma lista logo de cara. Mas com resiliência vai se cumprindo os passos, um a um, até que vire hábito. E, tudo isso, nada mais é do que maneiras para que você se remeta a si mesmo, um auto cuidado. E o horário da manhã é perfeito, é um néctar, e, para muitas pessoas, o único momento em que ela cuida dela mesma. A partir do momento que fica interiorizado, criamos a consciência do nosso corpo, do que ele pede, do que necessita.

AIDÉE Existem vários produtos para esteticistas. Desde os industrializados aos naturais. Qual é a sua preferência?

IOLANDA ADA Hoje trabalho totalmente com estética natural usando argilas, hidrolatos, óleos essenciais, cristais, manteigas vegetais, ervas, …

“Essa sazonalidade, essa alternância, tem significado, pois estamos mudando o tempo todo. Por esse motivo, essa questão da conservação não é fundamental para mim. ”

AIDÉE Você faz uso de vários ingredientes alimentícios no tratamento estético. Alguns cosmetólogos são avessos ao uso deles em produtos cosméticos. Parte deles alega que suas propriedades são mínimas, outra que existe o problema da conservação do produto. Isso é verdade? Por quê?

IOLANDA ADA O Ayurveda tem um princípio: tudo o que você come você pode usar na pele. Aliás, deve. Por exemplo: o aloe (babosa) é um remédio para pessoas do dosha Pitta. Ela refresca e baixa a temperatura interna da pessoa, quando ingerido. Para pessoas que tenham a pele muito vermelha e irritadiça, ela acalma. Se a pessoa tem problemas digestivos, pode fazer bochechos com ela, reduzindo a acidez. Pessoas com muitos problemas na boca também podem usar. Externamente, servem bem para os cabelos e para a pele.
O problema da conservação existe, sim, mas para o terapeuta ayurvédico não interessa um preparado que dure meses porque usamos os produtos que estão disponíveis naquela estação. Não faz sentido usar coisas do verão numa época fria. A pele tem necessidades distintas a cada estação. Ela muda a cada estação do ano. Essa sazonalidade, essa alternância, tem significado, pois estamos mudando o tempo todo. Por esse motivo, essa questão da conservação não é fundamental para mim.

“As pessoas que passam a utilizar sabões mais leves, ricos em óleos vegetais e outros ingredientes, alternando a cada estação, irão perceber que a pele vai precisar de pouca quantidade de hidratantes e outros nutritivos, pois a pele limpa absorve melhor.”

AIDÉE Você é uma entusiasta da saboaria artesanal e seu conhecimento vem do uso de produtos de vários artesãos ao longo de vários anos. Qual a diferença com os industrializados e quais os benefícios que eles trazem à pele?

IOLANDA ADA É que os produtos artesanais, normalmente, respeitam as características naturais da pele, e os industrializados, já são mais agressivos e padronizam as peles. Ou seja, um produto igual para todo mundo. Existe um equilíbrio que precisa ser mantido.
O que mais priorizo é uma pele limpa para absorver tudo o que vier sobre ela. E tem que ser limpa de uma maneira gentil para que não se remova o manto hidrolipídico, que é a proteção natural da pele. Por isso os cosméticos naturais são mais adequados e o sabão, um produto de beleza importante. As pessoas que passam a utilizar sabões mais leves, ricos em óleos vegetais e outros ingredientes, alternando a cada estação, irão perceber que a pele vai precisar de pouca quantidade de hidratantes e outros nutritivos, pois a pele limpa absorve melhor. Conclusão: o sabonete vai acabar sendo o produto mais barato e é o que vai trazer mais benefícios se você souber usar.

Para finalizar a entrevista, deixamos uma frase que Iolanda citou e que, com toda certeza, significa o seu trabalho para com todos a quem se dedica: “Dê me a beleza da alma interior, e que o interior e exterior sejam um só”, Sócrates.

SERVIÇOS:

IOLANDA ADA, Terapeuta Ayurvédica, Psicóloga e Aromaterapeuta

E-mail: plantasdafelicidade@gmail.com