Em alguns casos sim, em outros não.

Além da agradável fragrância (dê preferência aos naturais) que os cremes e loções proporcionam à pele, eles tem a função principal de manter a hidratação, emoliência e umectação da pele. Em alguns casos – como o da dermatite atópica (como a de nosso filho e para o qual fazemos cremes), por exemplo – eles são importantes pois a pele sofre de uma certa deficiência, deixando-a ressecada e coçando. Mas em outros casos, a pele às vezes, necessita apenas de uma mudança de hábitos, ou produtos, ou até mesmo adotar uma nova dieta, como diz a nutricionista Claudia Lima. (leia a entrevista, aqui).

 

Então é possível que o uso de cremes e loções seja apenas um hábito adquirido em alguns casos?

Para responder a essa pergunta, é necessário entender o que ocorre no processo de saponificação e quais fatores levam para que o uso de cremes e loções se tornasse um hábito para muitas pessoas.

Mas qual a relação do sabonete com a hidratação da pele? Vamos lá. O processo de saponificação ocorre quando há a mistura de ácidos graxos + solução alcalina, resultando em sais + glicerina. Esse processo é o mesmo para quaisquer tipos de sabonetes e sabões, sejam eles industrializados ou artesananais.

 

“…a gordura animal tornou-se o principal ingrediente para a produção do sabonete industrializado, tornando-o um produto com alto poder de limpeza e pobre em propriedades.”

Desde tempos remotos, o sabão sempre foi feito a partir de ácidos graxos de origem animal e/ou vegetal. Porém, através da indústria pecuária, a gordura animal tornou-se o principal ingrediente para a produção do sabonete industrializado, tornando-o um produto com alto poder de limpeza e pobre em propriedades. Ou seja, praticamente um detergente.

Outros fatores como a retirada da glicerina durante o processo de saponificação — pricnipalmente durante a II Guerra Mundial — também contribuiu para empobrecer o produto, tornando-o ressecativo para a pele. É a glicerina que tem a capacidade de proporcionar a hidratação, emoliência e umectação da pele, sendo a parte mais nobre do sabonete.

 

Quando retiramos o sebo natural da pele, através do uso de um sabonete com alto poder de limpeza, e não adicionamos um substituto para sua proteção natural, deixamos a pele “exposta”, ressecando-a, sensibilizando-a ou fragilizando-a.

Sabe aquela sensação de coceira na pele depois do banho? Ou mesmo o aparecimento de uma vermelhidão? Esses são sinais de ressecamento ou sensibilização e até mesmo alergia ao produto, quando isso começa a se tornar frequentes. Geralmente, sem questionar muito, passamos a utilizar cremes e loções hidratantes para “auxiliar” a pele. No final do dia, nos tornamos dependentes do sabonete para a limpeza da pele e do hidratante para repôr aquilo que o sabonete retirou. É um ciclo vicioso.

 

Como detectar se um sabonete possui glicerina ou não?
De uma forma prática:

  • FALTA de GLICERINA: seria quando você percebe que o sabonete racha quando seca, como acontece com muitos dos industrializados;

 

  • PRESENÇA de GLICERINA: quando deixamos uma “poça” d’água na saboneteira percebemos que o sabonete derrete e forma um “gel”, como acontece com os sabonetes artesanais.

Se o uso dos cremes e loções hidratantes é um hábito, existe a possibilidade de não utilizá-los?

Muito provavelmente se nunca tivéssemos passado a fazer nossos próprios sabonetes jamais notaríamos os benefícios e diferenças que um produto natural e artesanal poderia proporcionar no banho e pós-banho.

Nos sabonetes naturais e artesanais, a manutenção da glicerina faz uma enorme diferença quando utilizado a longo prazo. Além da riqueza que cada gordura vegetal possui e contribui de diferentes formas, como: tornando o sabonete rico em espuma, ou em limpeza, ou em emoliência e umectação.

Quando começamos a produzir sabonetes, vimos em vários bibliografias japonesas que não constavam receitas de cremes e loções corporais. E, estudando, percebemos que sua filosofia é de fato simplificar a rotina diária de beleza: com o uso de um bom sabonete natural e artesanal certo para a sua pele, mesmo sendo mais caro, eliminando a necessidade de outros produtos como os cremes e as loções. No início não compreendemos, mas com o tempo de uso, começamos a perceber que a pele passou a não apresentar “aquele” repuxamento, a coceira e a vermelhidão.

Começamos a constatar também que as propriedades dos ácidos graxos passam para a pele e cada um deles tem seu efeito diferenciado e característico de cada óleo. Emoliência, harmonização do tom, umectação, e assim por diante.

E embora a pele, assim como nosso metabolismo, se modifique de tempos em tempos por diversos fatores (hormonais, mudanças de rotina ou de ambiente), a simples troca de um sabonete pelo outro já traz novos resultados. A autopercepção e a adoção de novos hábitos também é muito importante para a manutenção de uma pele saudável. Por exemplo, para os dias em que a pele fica mais ressecada – com em dias frios –, existem óleos de banho, enriquecidos com óleos essenciais, meles, máscaras de algas – as mesmas que ingerimos –, etc que podem auxiliar na manutenção da beleza da pele de forma natural e igualmente deliciosa. Para dias quentes, sabonetes mais leves de fácil enxágue são os mais indicados, podendo se fazer uso de um body splash no pós-banho.

A pele é uma particularidade de cada pessoa. Adotar o melhor ritual de beleza, escolher o produto certo, nem sempre se faz apenas classificando a pele em seca, oleosa ou mista mas conhecendo suas necessidades, estado de saúde, humor, ritmo de vida, etc. Faz parte da autonomia, do autoconhecimento e principalmente do respeito a si mesmo.

 

 

Obs.: O texto acima é resultado de impressões e deduções baseadas em nossas experiências diárias com o que produzimos através de bom senso e muito estudo. Em nenhum momento, pretende-se substituir tratamentos indicados por médicos ou debater qualquer estudo científico de qualquer natureza.