Conversar com a Renata é assim: não existe falta de assunto. Pelo contrário, daria pra puxar outras 10 perguntas sobre o que ela acabou de responder, e assim continuaria. Suas histórias são incríveis, daria pra ficar ouvindo os seus “causos” por horas à fio. E sempre se aprende muito com ela. Seu conhecimento vai muito além da aromaterapia e dos óleos essenciais. Ela integra corpo, mente e espírito em tudo o que diz e, no final, acabamos recebendo de presente a sensação de amplitude, liberdade e infinitas possibilidades para tudo.

Renata gosta de se “definir como alguém que sempre gostou de estudar”, como ela mesma diz. Não era do tipo que “saía para brincar antes de fazer a lição de casa”. Gostava de “sentar nas primeiras carteiras” e “amava ganhar medalhas por boas notas”, além dos presentinhos que recebia carinhosamente de sua avó por isso.

Conheceu o óleo essencial de Lavanda, “indicado por uma terapeuta de Tui-ná”, para sua filha, na época, bebezinha que tinha dificuldades para dormir. Como sempre foi uma pesquisadora, buscou bibliografias sobre o assunto, já que na época não havia internet nem google, como costuma dizer!

Esteve 38 anos na iniciativa privada (vendas, marketing, relacionamento com clientes), passando por algumas multinacionais e seu primeiro curso de Aromaterapia veio em 2006 – quando já buscava alçar novos vôos pensando na segunda etapa de sua vida – e, desde então, não parou mais.

“Gosto de pensar que a aromaterapia – hoje a Aromatologia – me faz conjugar 4 verbos: ler, estudar, aplicar e compartilhar. Adoro fazer palestras e dividir com as pessoas o pouco que ainda sei sobre óleos essenciais e graxos. Eles são um verdadeiro presente da Natureza para nós em todos os aspectos: físico, emocional e espiritual”, diz ela.

Atualmente Renata trabalha com tradução de livros para a Editora Laszlo. Pois é “através da tradução de estudos e trabalhos desenvolvidos ao redor do mundo, que se pode expandir o conhecimento da aromaterapia e da aromatologia no Brasil, que ainda possui uma lacuna em termos de publicações para estudo e aplicação de uso”.

“A aromaterapia evoluiu bastante nesses últimos 10 anos e hoje temos vários profissionais maravilhosos atuando e ensinando pelo Brasil afora. E todo esse material que a Editora Laszlo está trazendo, sem dúvida, vai colaborar para que mais pessoas sigam por esse caminho com embasamento para cuidar de si, da família ou para que sigam como profissionais.

O livro, que tive o prazer de traduzir, já foi lançado. É um livro histórico que todo aromaterapeuta gostaria de ter na sua prateleira, já que é de Marguerite Maury. Seu título em português é Alquimia dos Aromas para a Juventude. Marguerite é pioneira em tratamento holístico e na aromaterapia como mulher. Dois outros livros devem sair ainda nesse ano: um de aromaterapia para crianças e outro sobre misturas aromáticas.”

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“…quando as pessoas entendem e experimentam, a diferença entre [essências e óleos essenciais] é tão gritante que eu sempre digo: é um caminho sem volta. O “bichinho do natural” mordeu… não solta mais!”

AIDÉE Como aromaterapeuta há mais de 10 anos, além de sua vivência empírica, muitas pessoas recorrem a você. Elas já tinham conhecimento da aromaterapia? E, quando não, em que momento da vida dessas pessoas você percebe essa busca?

RENATA BADIN Na minha visão, a Aromaterapia tem um apelo muito grande, porque o olfato é um dos sentidos mais ativos que temos. Através dele sentimos os sabores que nos remetem à comida, que também é uma fonte de prazer (quando estamos gripados não temos vontade de comer, porque não sentimos o gosto das coisas, certo?).
Nós emitimos odores o tempo todo, mas nossa capacidade olfativa foi diminuindo com o tempo. É o olfato que nos avisa e nos protege em algumas situações. Diferente do tempo das cavernas – quando ele nos ajudava a sentir o “cheiro do perigo” ou o “cheiro do acasalamento” –, hoje, ele nos faz perceber um cheiro de “estragado”, “azedo” ou “de carinho”.
E, embora, com tantos “odores” à nossa volta como fumaça, esgoto, combustível e perfumes – dos mais variados – e uma certa perda da percepção refinada, o olfato ainda é muito útil para nossa saúde física, emocional e mental. Por isso, quando falamos em sprays, cremes e perfumes, a reação é sempre muito positiva.
Em 2013, nós ocupávamos o 3º lugar em consumo de produtos de cuidados pessoais. Não encontrei dados atuais, mas acredito ainda que não tenhamos perdido essa posição. Na nossa frente estavam Estados Unidos e China.  E, apesar de sabermos que a grande maioria ainda utiliza perfumes e produtos manufaturados em indústrias químicas e farmacêuticas, os produtos naturais vem ganhando mercado a passos largos. As pessoas estão em busca de qualidade de vida e, mesmo que não tenham total ciência disso, querem se sentir bem, buscam bem-estar para sua família e, é nessa busca, que os aromas tem seu lugar reservado.
Quando se pensa em casa limpa, automaticamente se pensa no cheiro de limpeza. Quando se pensa em casa acolhedora, vem à mente, não só a arrumação, mas o cheiro adocicado ou floral. E o que vemos, então, é que as pessoas começam a associar os aromas com essa coisa de se sentir bem.
A busca pela aromaterapia acaba sendo automática para aquelas pessoas que já iniciaram esse caminho do querer ficar bem. E, então, o caminho vai se abrindo. Normalmente são as mulheres que buscam mais, talvez porque tenham um nariz mais “afiado”, ou porque elas é que tem instintivamente essa preocupação com o cuidado da casa e da família. Então, elas saem atrás de informações de ervas, plantas, chás e chegam aos óleos essenciais. Ainda existe muita confusão entre essência e óleo essencial, mas quando as pessoas entendem e experimentam, a diferença entre eles é tão gritante que eu sempre digo: é um caminho sem volta. O “bichinho do natural” mordeu… não solta mais!
Você perguntou em que momento da vida as pessoas despertam. Acho que o momento do despertar é quando alguém ou elas próprias estão passando por problemas de saúde, estresse e depressão. Uma parte vem pela curiosidade, outra pela necessidade, mas o importante é que vem. Existe muita informação disponível hoje. Tem coisa muito bacana, mas tem muitos mitos também. E quando as pessoas percebem que, por vezes, as informações não batem, é quando começam a procurar por cursos ou palestras. Atualmente uma boa parte dos estudantes de aromaterapia são de terapeutas holísticos ou tradicionais que conseguiram ver que a Aromaterapia e a Aromatologia são terapias complementares que agregam muito aos tratamentos.

“…os óleos graxos, as manteigas e os óleos essenciais são produtos raros e preciosos não só em valores, mas são tesouros da natureza.”

AIDÉE Os óleos essenciais são substâncias bastante voláteis e diferentemente das essências, seu cheiro vai se dissipando no sabonete com o tempo. Mesmo assim é possível obter seus benefícios? E como eles podem atuar?

RENATA BADIN Eu não sei muita coisa de saboaria, sou entusiasta e, às vezes, arrisco fazer sabonete para meu uso mesmo. E o que percebo é que, de fato, quando uso óleos essenciais no sabonete, ao longo do tempo em que ele matura, o aroma vai se modificando e, por vezes, quase desaparece, dependendo dos óleos utilizados. Mas também aprendi com a Solange Lima que existem formas de melhorar sua fixação. Independente disso, em termos de aromaterapia, os aromas que permanecem, por mais sutis que sejam, vão trabalhar no equilíbrio e bem-estar de quem utiliza o sabonete, pois sabemos da importância do olfato, não é mesmo? Em termos de atividade sobre a pele, eu acredito que, sim, alguns compostos permanecem e seu efeito “físico” pode ser percebido se a espuma do sabonete permanecer por algum tempo sobre a pele. Alguns livros citam que em 26 segundos a pele absorve e joga para a corrente sanguínea o que for passado sobre ela. Então, penso que, no caso dos sabonetes, se usarmos com esse critério, ou seja, se passarmos e esperarmos por 26 segundos para, então, enxaguar a espuma, é provável que tenhamos uma absorção bacana dos compostos utilizados.
Mas, gosto sempre de ressaltar que – até por questões ecológicas – os óleos graxos, as manteigas e os óleos essenciais são produtos raros e preciosos não só em valores, mas são tesouros da natureza. Temos e devemos usar todas essas riquezas com parcimonia, com cuidado e amor. Temos que pensar no quanto de sementes e de plantas foram utilizados para se conseguir aquele óleo. É preciso considerar quanto tempo a natureza levou para produzir! Por exemplo: para se fazer 1 litro de óleo essencial de limão tahiti, são necessários 3.000 limões! Para se conseguir 150 g de óleo essencial de camomila, usa-se 1 tonelada de flores! O respeito é importante não só ao se fazer um produto – seja ele sabonete, spray, óleo de massagem ou creme – como para se fazer uso e se beneficiar desse produto. Sei de pessoas que passam o sabonete 2 ou 3 vezes no corpo inteiro durante o banho!

“O banho é um momento de limpeza física e energética. É também um dos ítens que afeta nosso relacionamento com outras pessoas!”

AIDÉE Recentemente você deu uma palestra com o tema Aromaterapia Aliada ao Momento Mágico do Banho. Quais as formas mais simples de se ter os benefícios dos óleos essenciais num momento tão simples mas precioso do dia?

RENATA BADIN O convite para a palestra no Encontro Nacional de Saboaria foi muito especial, porque eu admiro muito os artesãos da saboaria! Tem gente muito bacana envolvida nesse processo não só por dinheiro ou por encarar como uma profissão, mas pela consciência e pela vontade de fazer parte da mudança de mentalidade e atitude perante nosso planeta. E a ideia da Mara, ao me convidar, foi justamente pra levar um pouco de informação sobre quanto se precisa de matéria natural para fazer os óleos essenciais.  Eu aproveitei para dar uma passeada pela história – e aí é o ponto gostoso de ser desafiado para um tema que você não domina – você tem que ir atrás da informação, e o aprendizado é sempre muito rico! O banho, assim como a hora da higiene pessoal, é um momento muito individual. Eu digo sempre que é o tempo da solidão necessária, é quando a pessoa pára, e se cuida. Presta atenção na sua pele, no seu corpo ou, se não presta (porque a maioria das pessoas na correria, às vezes, toma banho automaticamente), deveria prestar! Sentir a água caindo no seu corpo é o momento ideal para você agradecer e se conectar. Eu gosto de pensar que estou embaixo de uma cachoeira e que todas as dores, mal-estar e o que estiver me perturbando é lavado e desintegrado. E, quando uso um sabonete natural, com óleos essenciais, penso no que cada um dos elementos daquele sabonete estão fazendo pela minha saúde física, emocional e energética. Por isso é importante a informação: o que tem no sabonete? O que cada óleo utilizado e os componentes tem como propriedade? E o que vai melhorar na minha pele e no meu bem-estar?
O banho é um momento de limpeza física e energética. É também um dos ítens que afeta nosso relacionamento com outras pessoas! Eu gosto de pensar que o banho não precisa terminar assim que você fecha o chuveiro e se enxuga. Você pode continuar usufruindo dos benefícios do sabonete e da água, através de uma loção, um creme ou um body splash que contenha, de repente, os mesmos óleos que foram utilizados no sabonete.

“Como disse Marguerite Maury, no livro Alquimia dos aromas para a juventude cada pessoa tem uma história que vai se refletir em sua saúde e em sua aparência; por isso, o tratamento não pode ser igual para todo mundo.”

AIDÉE Em seu trabalho como tradutora e revendedora da Laszlo, costuma fazer muita pesquisa. Você considera importante que as pessoas busquem informação mesmo para um produto natural? Por quê?

RENATA BADIN Bom, como comentei acima, é importante a informação sim, porque as pessoas precisam se responsabilizar pelo seu bem-estar, por sua beleza e por sua própria cura. Em tudo nós temos que nos informar. Quando vamos ao médico, não devemos apenas aceitar a receita, comprar o remédio e pronto. Temos que pesquisar, temos que dialogar com o médico sobre o que sentimos e o que queremos. E, se o médico não for do tipo que aceita argumentação, às vezes, trocar de médico até encontrar um que seja aberto no sentido de respeitar a sua inteligência e a sua individualidade pode ser uma opção. Não somos todos iguais! Como disse Marguerite Maury, no livro Alquimia dos aromas para a juventude, cada pessoa tem uma história que vai se refletir em sua saúde e em sua aparência; por isso, o tratamento não pode ser igual para todo mundo. A pesquisa tem que se aplicar a tudo: alimentação e produtos industrializados. Tem que ler rótulo sim! E se estiver escrito “em grego”, com um monte de coisa que você não sabe o que é ou para que serve, não compre. Vá, pesquise, veja se aquilo é bom ou não para o seu corpo. Cosméticos idem. Aliás, com tudo. Na internet tem muita informação boa, mas se você não sabe como procurar, pergunte e se informe. A gente não pode delegar a ninguém, seja terapeuta, médico ou empresa, a responsabilidade pela nossa saúde.

AIDÉE Vemos em seu trabalho como aromaterapeuta, uma visão do ser humano como um todo. Qual é a importância de se cuidar nos aspectos físico, espiritual e alimentar?

RENATA BADIN Uma resposta acho que foi se encaixando na outra. O ser humano como um todo já era visto e tratado desde os tempos mais remotos. Hipócrates já ensinava e praticava, mas infelizmente isso foi se perdendo com o tempo por interesses econômicos. Num determinado momento, o ser humano deixou de ser “inteiro”, para se tornar partes. Acho incrível essa “retaliação”: especialidade pés/ mãos/cabeça. E infelizmente um ramo não conversa com a outro… Como citei há pouco, Marguerite relata casos interessantes onde traumas de infância ou de juventude, que foram “apagados” do consciente da pessoa, interferem diretamente na saúde; e a pessoa não consegue se curar porque ninguém tocava na causa, apenas no sintoma. Nosso físico, eu acredito – e é o que tenho visto, lido e traduzido –, é o resultado de nosso emocional e de nosso energético. Um estresse emocional, como o luto por exemplo, reflete no físico por até 2 anos depois do ocorrido. A pessoa pode apresentar distúrbios de pressão arterial, de sono e de dores, em consequência a esse trauma. Se olharmos só o sintoma sem pesquisarmos a causa, talvez a pessoa consiga melhorar, mas não se cura. E, aqui, é que acho maravilhoso o trabalho da homeopatia, da aromaterapia e da fitoterapia! Falando propriamente da aromaterapia, que é o meu objeto de estudo, um mesmo óleo essencial pode não fazer o mesmo efeito em duas pessoas. Isso acontece porque cada uma, mesmo que apresente uma mesma queixa, possui uma história e um momento diferente!  A alimentação, faz parte do processo de prevenção e cura também. “Você é o que você come” é uma frase muito verdadeira. A busca por alimentos naturais, orgânicos, seja por orientação e/ou reeducação alimentar ou não, faz muita diferença não só na saúde física, mas na emocional também. Somos seres “inteiros” e “únicos”, gosto de pensar que somos perfeitos em todos os sentidos (basta observar o ciclo da vida desde a concepção), mas que nos perdemos no decorrer do tempo. Creio que chegou o momento de nos redescobrirmos! E temos uma protetora incrível para nos ajudar: a Natureza, que se doa, se aprimora e se renova todos os dias.

“…um mesmo óleo essencial pode não fazer o mesmo efeito em duas pessoas. Isso acontece porque cada uma, mesmo que apresente uma mesma queixa, possui uma história e um momento diferente!”

Capa do livro Alquimia dos aromas para a juventude, de Marguerite Maury, traduzido por Renata Badin, lançado recentemente pela Editora Laszlo (Ref. imagem: Editora Laszlo)

SERVIÇOS:

RENATA BADIN, Aromaterapeuta, Tradutora e Revendedora Laszlo

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